Apesar da pandemia, 2020 foi o “terceiro melhor ano” de sempre para o imobiliário. 2021, embora tenha começado com “menos pujança”, assistirá a uma “retoma gradual” do setor.

Apesar dos efeitos da pandemia, o mercado imobiliário foi capaz de mostrar alguma resiliência. 2020 acabou mesmo por ser o terceiro melhor ano de sempre, com 2.790 milhões de euros alcançados em investimento. Mas 2021, que embora tenha iniciado com “menos pujança”, vai trazer uma retoma gradual. No mercado residencial, espera-se um “abrandamento moderado” nos preços, conclui a consultora Cushman & Wakefield.

Foram transacionados imóveis no valor de 2.790 milhões de euros em 2020, uma quebra de 13% face a 2019, revela o Marketbeat Portugal Primavera 2021, da Cushman, apresentado esta terça-feira. Mais de metade deste montante deve-se a três grandes negócios: venda de 50% da join-venture da Sonae Sierra, venda do Lagoas Park e venda da cadeia Hotéis Real, tal como o ECO noticiou.

“2020 foi um ano muito positivo para o mercado em investimento. Foi o terceiro melhor ano de sempre. Mesmo durante o confinamento, continuámos sempre sob os radares dos investidores“, diz Paulo Sarmento, responsável da área de investimento da Cushman, durante a apresentação do estudo.

Olhando para estes números, o setor está otimista quanto a 2021. Embora o ano tenha arrancado com “menos pujança”, como disse Paulo Sarmento, já se somam cerca de 1.350 milhões de euros em operações. Assim, este ano espera-se uma “retoma gradual”, “diferenciada entre setores” e com “elevados níveis de liquidez”. E predominará uma “maior preferência por ativos seguros”.

O que esperar em 2021 de cada setor?

No setor residencial, a Cushman antecipa um “abrandamento moderado nos valores médios praticados”, isto em linha com o fim das moratórias, o agravamento do crédito malparado e com os projetos para a classe média que estão a nascer nas periferias. O relatório destaca o crescimento do arrendamento, devido aos vários projetos que estão a nascer, com destaque para os das autarquias.

O mercado de escritórios alcançou os 137.900 metros quadrados (-29%) na Grande Lisboa e os 53.900 metros quadrados (-17%) no Grande Porto. Assim, a Cushman espera que uma “manutenção do abrandamento” em 2021 e uma recuperação apenas no segundo semestre. O teletrabalho é uma “incerteza” sobre o real impacto da pandemia na ocupação dos escritórios.

No retalho, as vendas caíram 2,4% a nível nacional em 2020, mas nos centros comerciais as vendas afundaram mesmo 34%. Para os próximos meses, espera-se que o comércio online vá afetar a venda das lojas físicas, “fomentando o repensar da relação com o consumidor”. Os retalhistas deparar-se-ão com um “elevado esforço financeiro”, mesmo “apesar dos novos apoios em vigor”. Haverá uma “pressão para descida” dos preços dos imóveis.

No mercado hoteleiro, abriram 46 novos hotéis em 2020, num total de 2.400 quartos, esperando-se mais de 200 projetos no futuro. Para este setor, a Cushman antecipa uma adaptação para espaços de trabalho/coworking e potenciais insolvências, “apesar dos mecanismos de apoio”. A procura em 2021 ficará a apenas 50% a 60% da observada em 2019.