Moradias suspensas, onde as suas estruturas flutuam numa filigrana de cabos e arames, estão localizadas numa pequena vila de pescadores, a sul de Lisboa.

As Casas Gémeas, do atelier extrastudio, são moradias suspensas com seis metros de profundidade, onde as suas estruturas flutuam numa filigrana de cabos e arames, unindo-se, assim, num grande espaço de estar exterior, onde a família pode-se encontrar.

“O lote onde se encontra é invulgar”, note-se, “sendo uma encosta de grandes dimensões a 600 metros do mar, que se estende desde a vila ao castelo, delimitada por um pinhal e uma estrada romana”, pode-se ler em nota descritiva redigida pela equipa de projeto, a que o Archdaily teve acesso. Este projeto localiza-se em Sesimbra, numa pequena vila de pescadores, a sul de Lisboa.

As clientes desta habitação são duas irmãs que pretendiam transformar uma pequena casa construída nos anos 60 em casa de férias, para poderem reunir as famílias e amigos no Verão.

Para isso, a equipa preocupou-se em, primeiro, dividir a casa em dois corpos, garantindo assim autonomia a cada família. Sendo casas gémeas, partilhariam as mesmas propriedades e dimensões, mas cada uma expressa-se de forma diferente, sublinhe-se: Uma está mais alta, exposto à paisagem, enquanto, a outra está mais recolhida e horizontal, buscando uma relação mais íntima com o terreno em redor.

Não sendo possível ultrapassar os 125 m2 de implantação devido a restrições legais, são introduzidos pátios e é criada uma pérgula em redor dos volumes prolongando os espaços para o exterior, gerando zonas de estar ao ar-livre com vista sobre o mar, cobertas com vegetação, duplicando a área das casas.

Encastrando-se no terreno, as casas surgem como um prolongamento da rocha, invisíveis na encosta. Para conseguir este efeito, a equipa utilizou o betão com pigmentos castanhos desativado, testado inúmeras vezes até se encontrar uma cor idêntica à da terra em redor.

No interior, o materiais são deixados à vista no seu estado natural, apenas as paredes são pintadas. “Construir nesta paisagem implica construir uma atmosfera diferente. Não sendo uma residência permanente convoca-se aqui um universo intenso e cru, mais próximo da terra, feito com matérias-primas em bruto, mineral, rígido e sensual”, acrescenta ainda a equipa na nota descritiva sobre estas duas casas, em Sesimbra.