O projecto de Renda Acessível da Câmara de Lisboa para a freguesia de Marvila, hoje apresentado, prevê a construção de, pelo menos, 363 fogos a preços acessíveis, o reperfilamento de arruamentos, áreas verdes, serviços e a integração das hortas já existentes.

Os vários projectos previstos para aquela freguesia foram hoje apresentados na conferência “Habitar Marvila” pelos arquitectos responsáveis, numa sessão que contou também com a presença do presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina (PS), da vereadora da Habitação, Paula Marques, e do Bastonário da Ordem dos Arquitetos, Gonçalo Byrne.

A arquitecta da empresa municipal Lisboa Ocidental SRU (Sociedade de Reabilitação Urbana) Susana Rato começou por defender que Marvila necessita de “um novo pulmão verde com uma intensidade arborizada” que aproxime “os múltiplos bairros isolados em si mesmo” e “reduzindo estigmas negativos” associados à zona.

Toda uma vasta zona a requalificar

Falando no âmbito do Plano de Pormenor do Parque Hospitalar Oriental, Susana Rato disse que está prevista a construção de 1.500 fogos, o novo hospital, novas áreas verdes, assim como alterações no sistema viário, designadamente na Av. Santo Condestável, e relocalização da Feira do Relógio.

Já sobre os projectos específicos que foram apresentados, a arquitecta precisou que serão construídos cerca de 560 fogos, numa operação que envolve os bairros da GNR, da Flamenga e dos Alfinetes.

Segundo a Câmara de Lisboa, “a maioria dos edifícios tem área comercial integrada e com ligação ao exterior, dois pisos de estacionamento subterrâneo, sala multiusos, lavandaria, parqueamento coberto para bicicletas e logradouro”.

As intervenções incluem também “a requalificação das áreas verdes envolventes aos bairros, redesenhando percursos, pedonais e de mobilidade suave, de ligação com o território e a integração das hortas existentes”, destaca a mesma nota.

363 fogos (To a T4)  de Renda Acessível e 194 a preço livre

De acordo com as informações disponíveis no ‘site’ da autarquia lisboeta, é estimada a construção de 363 fogos, de tipologias T0 a T4, destinados ao Programa de Renda Acessível e 194 habitações a preço livre, numa área total de construção de 55.276 metros quadrados.

A área total de intervenção é de 75.171 metros quadrados, sendo que 91% do projecto é dedicado a habitação, 4% será para comércio e equipamentos e 5% para serviços.

“No âmbito do Programa Renda Acessível, prevê-se a construção de edifícios com o uso maioritariamente habitacional, integrando o pequeno comércio e uma área de serviços, estando a 15 minutos a pé de Braço de Prata, com projectos de regeneração urbana em curso, incluindo o futuro jardim público naquela frente ribeirinha”, salienta a autarquia na descrição do projecto.

O município estima um investimento privado de 59 milhões de euros.

Parque Urbano da Quinta do Marquês de Abrantes

Na sessão de hoje, foi ainda apresentado o projecto para a construção do Parque Urbano da Quinta do Marquês de Abrantes, no Bairro dos Alfinetes, com uma área de 69 798 m2 e a requalificação das áreas verdes envolventes aos bairros, com percursos pedonais e cicláveis, parque infantil, campos desportivos e hortas comunitárias. Em 2023, a zona da estação ferroviária dará lugar a uma “praça de aldeia”

As ruas Avelino Teixeira da Mota e Pardal Monteiro, que têm cerca de 15 metros de largura, passarão a ter sete metros, com a supressão de uma das vias para integração da rede ciclável naquela zona